quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BIOGRAFIA DO MESTRE BIMBA

Mestre Bimba



Seu nome: Manoel dos Reis Machado
filho de Luiz Cândido Machado 
e de Dona Maria Martinha do Bonfim
nasceu no dia 23 de Novembro de l900
no bairro do Engenho Velho, Freguesia de Brotas, 
Salvador - Bahia.


 





   
   O apelido de "BIMBA" resultou em uma aposta entre a sua mãe, Dona Martinha que acreditava que daria à luz a uma menina e por outro lado a parteira que o assistiu que seria menino. Na hora do nascimento a mãe pergunta para parteira e aí ganhei a aposta e a parteira responde, é "BIMBA" Dona Martinha. Bimba quer dizer o nome do órgão genital no Nordeste, referindo-se ao sexo masculino.

  •  A Prática 
    Bimba começou seu aprendizado na Arte da Capoeira com 12 anos de idade, na estrada das Boiadas, hoje o Bairro Negro da Liberdade, tendo como Mestre, um filho de africanos de nome Bentinho, que era capitão da Companhia de Navegação na Bahia. Foi estivador durante 14 anos e começou a ensinar capoeira  aos 18 anos de idade no Bairro onde nasceu no "Clube União em Apuros". Até 1918 não existia academias como hoje e treinava-se nas esquinas, nas portas dos armazéns e até no meio do mato. 
   Seu aprendizado com Bentinho levou 4 anos, a partir deste período passou a transmitir os ensinamentos recebidos e ensinou Capoeira Angola na Capitania dos Portos da Bahia por 10 anos.

   "Sodré (1991, apud Campos 2001) refere-se ao Mestre dizendo: “foi uma das ultimas grandes figuras do que se poderia chamar de ciclo heróico dos negros da Bahia”. Segundo Capoeira (2006, p.50) Bimba era um lutador renomado e temido. Ganhou o apelido de “Três Pancadas” porque, segundo se dizia, era o Maximo que seus adversários agüentavam."

    Bimba ainda praticante de capoeira começou a ensinar em 1918, sendo seus alunos negros e mulatos das classes populares. Mas apesar da pouca idade (18 anos), possuía alunos também de classes privilegiada, como o Desembargador Décio dos Santos SEABRA, da família do ex-governador SEABRA ; Dr. Joaquim de Araújo Lima , jornalista (Imparcial e Nova Era) e mais tarde governador de Guaporé. Para estes e outros, as aulas eram particulares nos quintais e varandas de suas casas.

" Aos 29 anos de idade, o próprio Mestre Bimba contava: “Em 1928, eu criei, completa, a Regional, que é o batuque misturado com a Angola, com mais golpes, uma verdadeira luta, boa para o físico e para a mente”. Assim nasceu a Capoeira Regional Baiana."







  •   O Surgimento da Regional

    Consideramos ineficaz e muito folclorizada a capoeira da época, devido ao fato de que os movimentos eram extremamente disfarçados, mestre Bimba resolveu desenvolver um estilo de capoeira mais eficiente, inspirando-se no antigo "Batuque" (luta na qual seu pai era um grande lutador, considerado até um campeão) e acrescentando a sua própria criatividade, introduziu movimentos que ele julgava necessário para que a capoeira fosse mais eficaz.
       Então em 1928, mestre Bimba criou o que ele denominou "Luta Regional Baiana". Testando sua eficiência não apenas com capoeiristas e policiais agressores, mas, principalmente desafiando outros lutadores famosos de outras modalidades. Vencendo todas as lutas e quem mais tempo resistiu durou apenas 1 minuto e 10 segundos. Jornais da Bahia relataram seus feitos, fazendo alusão à sua coragem e bravura. Esta luta teve este nome por ser apenas praticada em Salvador, mais tarde com sua expansão passou-se a chamar CAPOEIRA REGIONAL.




 


  • O Reconhecimento da Capoeira no Brasil

      Em 1932, fundou sua primeira academia no estilo Regional, no Engenho Velho de Brotas em Salvador, com o nome de CENTRO DE CULTURA FÍSICA REGIONAL BAIANA. A partir de então, iniciou-se sua ascensão, tornando-o famoso e ganhando vários títulos. Um deles é o de "Pai da Capoeira Moderna".
      A partir da década de 30, com a implantação do Estado Novo, o Brasil atravessou uma fase de grandes transformações políticas e culturais, onde os ideais nacionalistas e de modernização ficaram em evidência. Nesse contexto, surge a oportunidade de Mestre Bimba fazer com que o seu novo estilo de capoeira alcançasse as classes sociais mais privilegiadas.
       Em 1936 fez a 1º apresentação  do trabalho e no  ano seguinte foi  convidado pelo governador da Bahia,o General Juracy Magalhães, para fazer uma apresentação do palácio do governador onde estavam presentes autoridades e convidados, inclusive o presidente da época que gostou muito da apresentação. 
Mestre Bimba e Getúlio Vargas, Presidente do Brasil
       Dessa forma a capoeira é reconhecida como"Esporte Nacional" Mestre Bimba foi reconhecido pela Secretaria de Educação e Assistência Pública ao estado da Bahia como Professor de Educação física e sua academia foi a 1ª no Brasil reconhecida e registrada por Lei com seu alvará de funcionamento datado de 23 de Junho de 1937. 
       Em 1939, ensinou capoeira no Quartel do CPOR.
    Apesar da sua simpatia pelo PC(Partido Comunista), Bimba lecionou muito tempo nos meios militares, em 1930 alunos do CPOR entraram em contato e requisitaram seu Curso de Capoeira Regional, queriam que Bimba desse aulas do forte do Barbalho. Ele foi contra sua vontade, devido aos problemas que os capoeiristas e as classes menos favorecidas tinham com a polícia. Após o primeiro momento e sentindo que financeiramente era um bom negócio, ele deu o curso e se tornou um instrutor muito solicitado por elementos das Forças Armadas. O que mais fascinava os militares era o curso de emboscadas. 
       E em 1942 fundou sua segunda academia no Terreiro de Jesus.
       Em 1949, o escritor Monteiro Lobato o conheceu e lhe dedicou o conto Vinte e dois de Marajó, que conta a história de um marinheiro capoeirista. Em 1953, em São Paulo com seus alunos, Mestre Bimba se apresentou para o presidente Getúlio Vargas, este declarou ser a Capoeira o único esporte verdadeiramente nacional.
     Na década de 1930, Getúlio Vargas tomou o poder e, procurando apoio popular para a sua política, que incluía a “retórica do corpo”, permitiu a prática (vigiada) da capoeira: somente em recintos fechados e com alvará da polícia. Mestre Bimba aproveitou a brecha e abriu à primeira “academia”, dando início a um novo período – o das academias – após o período de escravidão e de marginalidade (Capoeira 2006, p.51) Recebeu do inspetor técnico de Ensino Secundário profissional, o titulo de registro "que lhe requereu o Sr. Manoel dos Reis Machado, diretor do curso de Educação Física, sito à Rua Bananal, quatro.    Como a capoeira não era bem vista aos olhos da sociedade, Mestre Bimba resolveu registrá-la como Centro de Cultura Física Regional, localizada na Rua Francisco Muniz Barreto. 01 – Pelourinho. 
   Em 1955, apresentou-se com grande sucesso no Teatro José de Alencar, em Fortaleza.
   Em 1956, na festa de inauguração da TV Record, em SP, e no mesmo ano na ABI e no Maracanãzinho, no Rio.
    Em 1968, apresentou-se com seus alunos para três mil pessoas na Exposição de Pecuária de Teófilo Otôni, em Minas.
    Em 1969, vai ao II Simpósio Nacional de Capoeira, no Rio, patrocinado pela Comissão de Desportos da Aeronáutica, mais fica só um dia dizendo "aquilo não ia dar em nada". No I Simpósio ele havia enviado o Mestre Decânio.
     Em 1972, realizou a última formatura do centro de cultura física regional, nesta formatura o Mestre Vermelho 27 foi o orador. 


 


  • Métodos de treinamento

     O que faz com que Mestre Bimba se destacasse dos demais capoeiristas de sua época, é que ele foi o 1º a desenvolver um sistema de ensino e a ensinar em recinto fechado. Além desse sistema , ele elaborou  técnicas  de  defesa Pessoal até mesmo contra armas . Mestre Bimba preocupava-se demais com a imagem da Capoeira, não permitindo treinar em sua academia aqueles que não trabalhavam e nem estudavam.
 
Mestre Bimba desenvolveu o 1º método de ensino que vemos a seguir como ele funcionava:
  • • Exame de admissão
    Dizia-se que em outros tempos, Mestre Bimba aplicava uma "Gravata" no pescoço do indivíduo que quisesse treinar e dizia "Agüenta ai sem chiar", Se agüentasse o tempo que ele mesmo determinava estaria matriculado. Mestre Bimba justificava esse critério dizendo que só queria macho em sua academia. Mais tarde mudou os critérios, Submetendo o candidato a fazer alguns movimentos para que ele pudesse avaliar se o pretendente tinha condição ou não para praticar a capoeira regional. A próxima fase seria aprender a "Seqüência de Ensino".
  • • O Aprendizado
    O aluno nessa fase aprendia o que se chamava "Seqüência de Ensino" que eram as oito seqüências de movimentos de ataque, esquivas e contra ataque destinadas somente aos iniciantes, simulando as situações mais comuns que o aluno enfrentaria durante o jogo de capoeira.
     Esse foi o 1º método de ensino criado para ensinar alguém a jogar capoeira e o calouro treinava essas seqüências em  duplas sem o acompanhamento dos instrumentos. Quando estas estivessem bem decoradas o Mestre dizia: "Amanhã você vai entrar no aço, no aço do Berimbau". Muitos ficavam receiosos pensando que era na força física. Era comum naquele tempo dizerem que o capoeirista quando agarrado, não tinha como reagir.  Então mestre Bimba, com sua criatividade ensinava seus alunos quais eram as melhores saídas. Todos esses ensinamentos faziam com que o método de mestre Bimba fosse incomparável e esse treinamento durava cerca de 3 meses só então é que o aluno seria batizado.               
  • •  O Batizado
     O batizado era quando o aluno jogava pela 1ª vez na roda com o acompanhamento dos instrumentos que era formado por um berimbau e dois pandeiros. O mestre escolhia o formado que jogaria com o calouro e então tocava o toque que caracteriza a capoeira regional, para isso o calouro era colocado no centro da roda para que o formado ou o próprio mestre desse um apelido a ele. Escolhido o "nome de guerra" todos aplaudiam e então o mestre mandava o calouro pedir a  "Benção" do padrinho, e ao estender a mão para o formado que o batizou, receberia uma "Benção"(Golpe frontal dado com a parte inferior do pé empurrando o adversário na altura do peito) que o jogava no chão. 
    Era necessários pelo menos, 6 meses de treino para se formar na Capoeira Regional. O exame era realizado em 4 domingos seguidos, no Nordeste de Amaralina, academia do mestre, os alunos a serem examinados eram escolhidos por ele. Durante 4 dias os alunos eram submetidos a algumas situações onde teriam que mostrar os valores adquiridos durante a fase de aprendizado, como por exemplo: força, reflexo, flexibilidade e etc. No último domingo é que o mestre dizia quem havia sido aprovado e então ensinava novos golpes e também marcava o dia da formatura.
  •  •  A Formatura

     A cerimônia iniciava com uma roda de formados antigos para que as madrinhas e os convidados pudessem ver o que era a Capoeira Regional. Mestre Bimba ficava ao lado do som, que era formado por um Berimbau e dois pandeiros, comandando a roda e cantando as músicas características da Regional. Terminada a roda, o mestre chamava o orador que geralmente era um formado mais antigo para falar um breve histórico da Capoeira Regional e do mestre.
     Após o histórico, o mestre entregava as medalhas aos paraninfos e os lenços azuis (Graduação dos Formados) as madrinhas.O paraninfos colocava a medalha ao lado esquerdo do peito do Formado e as madrinhas colocavam os lenços nos pescoços dos seus respectivos afilhados. A partir dai os formados demonstravam alguns movimentos a pedido do mestre para mostrar a sua competência, incluindo os movimentos de "cintura desprezada", "jogo de floreio" e o "escrete" que era o jogo combinado com o uso dos Balões.
       Para terminar, chegava a hora do "Tira-medalha" onde o recém formado jogava com um formado antigo que tentava tirar a sua medalha com qualquer golpe aplicado com o pé. Só então depois de passar por isso tudo é que o aluno poderia se considerar aluno formado de mestre Bimba, tendo direito até de jogar na roda quando o mestre estivesse tocando Iuna que é o toque (onde quem joga hoje são só os mestres) criado por ele para esse fim. A partir dai só restava o curso de especialização.           
  •  •  O Curso de Especialização

       Tinha duração de 3 meses, sendo 2 na academia e 1 nas matas da Chapada do Rio Vermelho. Tratava-se de um treinamento de guerrilha, onde aconteciam as emboscadas, armadilhas e etc., que consistia em submeter o formado a situações das mais difíceis, desde defender-se de 3 ou mais Capoeiristas, até defender-se de armas. Terminado o curso, o mestre fazia a mesma festa para os novos especializados, e estes recebiam o lenço vermelho, a cor que representava a nova graduação. O aluno que se formava ou se especializava, tinha o dever de pendurar um quadro com a foto do mestre, do padrinho, do orador, e a própria foto. 

        Mestre Bimba realmente foi o grande "propulsor" da Capoeira no Brasil mas , muitos dos métodos citados acima não são mais usados na verdade grande parte deles não existe mais a muito tempo, mas, foram muitos úteis.




 
  • Bimba é Bamba!"  
 
    Antes de Bimba, a luta era ilegal, passível de punição pelo Código Penal, discriminada pela burguesia como coisa de malandro, de escravo fujão. Os capoeiristas se quer sonhavam em sobreviver (no sentido de trabalho e fonte de renda) dessa manifestação popular. Bimba rompeu com este ranço. Deixou as funções de carroçeiro, trapicheiro, carpinteiro, doqueiro, carvoeiro para abraçar a capoeira e o seu instrumento mais ilustre, o berimbau.
   Mestre Bimba acreditava que a capoeira tinha que se renovar para não ser engolida pelas lutas estrangeiras. A preocupação, apesar de à primeira vista soar bairrista, tinha razão de ser. Até hoje, são lutas como o boxe americano e o judô japonês que circulam na mídia, nas Olimpíadas, lotando estádios e enriquecendo seus atletas, empresários e patrocinadores. Lutando incessantemente para que a capoeira fosse reconhecida como a legítima arte marcial brasileira, Mestre Bimba criou a Capoeira Regional, jogo que ganhou este batismo pela versão do mestre a estrangeirismos, fazendo questão de chamá-la de "Luta Regional Baiana". A Capoeira Regional é um estilo menos ritualístico do que a capoeira tradicional, conhecida como angola.
     Os golpes introduzidos por Mestre Bimba facilitavam a defesa pessoal quando do embate com praticantes de outras lutas, como as artes marciais importadas muito populares no Brasil nas décadas de 30 e 40. Nessa época, desafiou todas as lutas e consagrou-se como primeiro capoeirista a vencer uma competição no ringue, quando o público incentivava com o grito de guerra "Bimba é bamba!".


 

  •  A Morte
    Cansado por falta de apoio dos poderes públicos da Bahia e enganado pelas promessas de seu aluno formado Oswaldo de Souza, que ministrava aulas em Goiânia, em janeiro de 1973 mudou-se para esta capital, na certeza de uma vida mais digna. 
     Antes de ir para Goiânia, Bimba formou sua última turma, uma formatura muito comentada chamada 'formatura do adeus', depois deste evento ele deixou a Bahia dizendo 'Não voltarei, mas aqui, nunca fui lembrado pelos poderes públicos; se não gozar nada em Goiânia, vou gozar do cemitério. ' Depois que ele se foi veio a Salvador apenas duas vezes e dizendo que estava tudo bem, mas dona Nair disse 'ele foi enganado. Não volta porque é orgulhoso'. Em 05 de fevereiro de 1974 um ano depois que deixou a Bahia, morria o mestre Bimba e foi enterrado em Goiânia. Transladar os restos mortais de Goiânia para Salvador foi difícil, os seus alunos achavam que o lugar dele era na Bahia "ídolo não se pertence, pertence ao seu Público”
   
   Em 15 de fevereiro de 1974, no Hospital das Clínicas de Goiania, morre Mestre Bimba vítima de um derrame cerebral, desgostoso pelas traições, falta de apoio e dificuldade financeiras.
     Mestre Bimba morreu aos 73 anos, sem presenciar a profissionalização da capoeira que ajudou a criar. "Meu pai morreu de banzo (tristeza), por não ver a capoeira respeitada", revela o filho Demerval machado, o Mestre Formiga.
Bimba obteve grande luta contra as autoridades, porém não uma luta de carne ou sangue, mas de dignidade e respeito à capoeira e aos capoeiristas, sendo assim nos deixou de herança:
  • A sobrevivência da Capoeira;
  • A liberdade da Capoeira;
  • A profissionalização da Capoeira;
  • A metodologia da Capoeira;
  • O respeito da sociedade pela a capoeira;
  • Além disso, Mestre Bimba também conseguiu que ficasse evidente, através de sua própria vida, o desrespeito e o descaso das autoridades pela nossa cultura.
Mestre Bimba e Mestre Gigante 


 
 
               
  • ASSINATURA DE MESTRE BIMBA - MANOEL DOS REIS MACHADO
      O detalhe abaixo foi retirado de um dos diplomas de Mestre de Luta Regional Baiana, emitidos pela Federação Baiana de Pugilismo e assinados por Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba), para outorga deste título aos sete (7) membros do futuro Conselho de Mestres, o qual deveria ser criado após a homologação pela Confederação Brasileira de Pugilismo do anteprojeto de regulamentação e regras esportivas da capoeira, elaborado pelo Dr. Angelo A. Decanio Filho com o aval do Mestre Bimba. O Mestre assinando no campo de "secretário geral", em falta de local mais adequado por ser este o único modelo existente de diploma naquela FBP.
    Em decorrência de modificações feitas pela Comissão Técnica d C.B.P. Mestre Bimba decidiu sustar as providências citadas e estes documento perderam sua indicação primordial, passando a ter valor puramente histórico e foram distribuídos pelo Dr. Decanio a alunos diretos do Mestre que desempenharam papel destacado no crescimento e difusão da regional.
 Image
          
 
  • Conclusão
    Somos gratos ao nosso maior capoeirista, Mestre Bimba, por nos deixar de herança a capoeira como dança, luta, esporte, manifestação folclórica, estilo de vida, etc. Ressaltando que: Bimba jamais, em seus 56 anos de aula, feriu um aluno. Bimba deixava claro que não devia haver luta ao som do berimbau. Seria um desrespeito aos princípios e a Regional tem como um de seus pilares o respeito à integridade física e moral dos companheiros.
    Lembrando que: Mestre Bimba desafiou todos os capoeiristas e lutadores baianos da sua época e que ele venceu todas as lutas e só foi desclassificado em uma, por ter dado um galopante em seu oponente e colocado assim o adversário para fora do ringue. Mas o principal de tudo isso que deve ser ressaltado é que nunca o Mestre Bimba lutou ao som do berimbau. Luta era coisa para o ringue, afirmava ele.
    O presente estudo teve por objetivo apresentar um pouco da história de Mestre Bimba, que podemos considerá-lo um marco histórico na história da cultura brasileira, um divisor de águas, pois só depois dele foi dado o nome de Capoeira Angola e foi iniciado um movimento geral de resgate e preservação da cultura afro-brasileira em todos os seus âmbitos.
    Cabem a nós capoeiristas, amantes da capoeira, mestres e professores divulgar, apresentar e lutar contra os preconceitos ainda existentes, para que possamos garantir as gerações futuras a oportunidade e o direito de ter a história preservada.

Em Agosto de 2007 é lançado nos cinemas
Paris: Lançamento Europeu do filme e DVD "Mestre Bimba a Capoeira Iluminada"




    
Vale a pena assistir - eu recomendo!  

  .    


"... O filme entrará em cartaz no dia 10 de agosto, podendo atrasar uma semana,
nas cidades de Rio, São Paulo e Brasília. As outras cidades irão entrando
logo apos, nas semanas seguintes. É uma estratégia de alto risco mas
resolvi jogar um “tudo ou nada”. Se os capoeiristas encherem as salas de
cinema e tornarem o filme um sucesso na primeira semana, novas salas
entrarão na rede e novos horizontes se abrirão para a capoeira, que será
descoberta, finalmente, pela mídia e por novos entusiastas.
O resultado será certamente academias abrindo novos horários e turmas, novos
filmes de capoeira sendo feitos e maior valor de mercado para a capoeira,
além de abertura para ela em novelas e demais meios de comunicação. Eu sei
que é um grande sonho mas não o acho impossível de ser realizado. Para isso,
o filme é o primeiro passo. Lutei até o fim para isso e a minha maior
motivação será a de saber que se a capoeira chegou onde chegou um dos
tijolinhos do seu grande sucesso foi colocado por mim.
Mas, para que tudo isso aconteça, será necessário que todas as pessoas que
possam divulgar o filme, comparecer às sessões do filme, incentivar outras
pessoas a faze-lo, o façam. É uma luta de toda a capoeira, na qual estou
apostando todas as minhas fichas.
Conto com o seu apoio, um dos primeiros que me incentivaram a entender que
essa luta valeria a pena. Por favor, divulgue o que for possível, cada novo
tijolinho significará mais solidez para a capoeira e essa hora é única e
mágica.

Que Bimba, Pastinha e tantos outros heróis dessa linda contribuição da
afro-descendência à nossa gente e ao nosso Pais estejam conosco e iluminem
os nossos caminhos para que possamos ver os cinemas lotados e muita festa
pela capoeira, primeiro no Brasil e depois, no mundo..."


Luiz Fernando Goulart
Diretor





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